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O espaço onde algo novo respira

  • meyrecbarros
  • 27 de mai.
  • 1 min de leitura

Existe um momento no autoconhecimento em que a antiga identidade começa a perder sustentação.

Aquilo que antes parecia definir quem somos já não encaixa da mesma forma.

As respostas prontas começam a soar distantes.

O controle perde força.

E então surge um vazio.


Durante muito tempo, tentei preencher imediatamente esse espaço.

Buscava uma nova versão de mim para substituir a anterior.

Um novo nome interno.

Uma nova certeza.

Uma nova definição.

Hoje percebo que talvez o vazio não seja um erro do caminho.

Talvez ele seja o próprio espaço da travessia.


Porque enquanto controlamos tudo, quase nada novo consegue nascer.

A mente ocupa todos os espaços tentando garantir continuidade.

Mas a vida nem sempre pede continuidade.

Às vezes ela pede abertura.

E existe algo profundamente humano em não saber exatamente quem se está sendo por um tempo.


A consciência continua presente.

A vida continua acontecendo.

O corpo continua atravessando os dias.

Mas internamente, algo deixa de se organizar através das antigas referências.

E talvez o autoconhecimento não seja construir identidades cada vez mais sofisticadas.

Talvez seja permitir que algumas delas silenciosamente morram.

Não como perda.

Mas como espaço.


Porque algumas versões nossas precisam se desfazer para que a vida encontre novos caminhos dentro de nós.

 
 
 

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